A Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB), enquanto Instituição de Ensino Superior, assumiu coletivamente uma Proposta Pedagógica consistente e faz valer um trabalho de busca de veraz qualidade educacional, rumo à construção da Universidade do futuro. A referida Proposta está baseada no Paradigma da Sustentabilidade, constituído no discernimento entre apropriar e produzir.

          Para materializar os pressupostos teóricos que a sustentam, tem como meta “Avaliar também por produção” e assumiu como suporte metodológico de operacionalização da meta o Trabalho Interdisciplinar Institucional.  Construir este projeto inovador implica em um olhar reflexivo para o quefazer pedagógico. Por isso, a Instituição realiza semestralmente, envolvendo todos os professores, a Semana de Planejamento Educacional, tendo em vista o estudo, o aprofundamento, a ressignificação dos pressupostos teóricos que alicerçam a proposta. 

      Ressaltamos que, o desenvolvimento dessa significativa atividade não pode ser considerado mero evento a mais a ser acrescentado no rol de atividades de uma instituição de ensino superior, isto porque a intenção consiste em valer-se de poros, fissuras ou brechas, para que os envolvidos possam se inserir e/ou captar o movimento do real em que a referida proposta se materializa e se consolida

INTERPRETANDO A DISTINÇÃO ENTRE APROPRIAR E PRODUZIR

        Toda coletividade é formada por seres humanos e na sua essência é constituída por adultos e por dependentes. Ser adulto é caracterizado por se sustentar e por se responsabilizar pelo sustento dos seus dependentes autoinsustentáveis, sendo uma responsabilidade espontânea ocorrida no cotidiano desse adulto.

        Ao início da história de uma pessoa, é sabido que sua condição de “dependente” é ocasionada pela incapacidade de produção enquanto indivíduo autoinsustentável, entendendo que a independência é fruto da maturidade humana (enquanto adulto) e que somente neste estágio o sujeito se tornará capaz de gerar excesso, sendo que este excesso será devolvido para a coletividade, não havendo alternativa disto acontecer por meio natural que não seja a PRODUÇÃO.

     Como os desníveis da sociedade são explícitos, fica confuso para os adultos produtores separar os vitimados daqueles espontaneamente autoinsustentáveis, necessitando de uma maturidade em nível de discernimento, a fim de direcionar a quem deverá receber a sua generosidade. Daí, importa surgir a dúvida: a quem devo oferecer a minha gratuidade?

      A distinção entre apropriar e produzir vem a ser saída para todo mundo entender o que é mais fundamental em educação para conscientizar de que deve haver uma mudança pessoal no sentido de diferenciar o individual do coletivo, substituindo a apropriação (conduta da acomodação) por seres produtores (aqueles que possuem iniciativa de gerar condições favoráveis para a sua sustentação). 

       No gráfico em vermelho é destacado um comportamento humano típico do APROPRIADOR. Ao se colocar a figura de uma criança e um idoso, pretende-se representar na ilustração dois tipos de pessoas naturalmente autoinsustentáveis. Neste sentido, os abacaxis representam os “benefícios” que os adultos terão, ao produzirem apenas em prol dos seus interesses pessoais, reproduzindo esta ação livre desde que haja a absoluta certeza de uma remuneração definida, desprezando qualquer tipo de ação que beneficie a coletividade ou os naturalmente autoinsustentáveis

    Em cor verde, é representada uma atitude de alguém que age de maneira inversa ao apropriador, entendendo que a sua sustentação e de outrem faz parte da dinâmica e da relação entre pessoa e coletivo. Assim, espera-se que o PRODUTOR se esforce fora dos seus interesses pessoais e desenvolva uma habilidade de pensamento focado na parcial GRATUIDADE e inerente a estágio de maturidade autenticamente humana.

      É cultural no ser humano evitar a gratuidade. É extremamente comum afirmar que muitas pessoas têm dificuldade de assumir a sua generosidade, inclusive dentro de seu próprio domicílio. Assim, é necessário que haja uma mudança de postura do indivíduo para que se estimule o espírito desta gratuidade. Ao evocar essa mudança de postura, o sujeito despertará para as seguintes questões: por que, para que e para quem produzi ou ser também gratuito?

       Neste sentido, as respostas para estas indagações estarão na observação do próprio cotidiano do sujeito, o que resultará no ensino da gratuidade para o próximo e no aperfeiçoamento da dinâmica da produção individual, passando a ocorrer a sustentabilidade também coletiva, o que garante fundamentação de tudo o que é ensinado e aprendido.