O advento das novas tecnologias provocou uma verdadeira revolução na sociedade, inserindo ferramentas úteis e eficazes nas tarefas do cotidiano, no lazer e no trabalho. Mas, junto com qualquer inovação, surgem também usos e práticas inadequadas, que criam desconfianças e podem causar grandes transtornos para quem não observa os critérios de segurança. Um dos aspectos mais importantes nos meios cibernéticos, a ‘Privacidade Digital’, foi tema de debate no XI Colóquio de Psicologia da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB), realizado na tarde desta terça-feira (19), no auditório João Altivo Bergamo, na sede da instituição. Os psicólogos André Oliveira e Emanoele Batista, juntamente com os especialistas em Ciências da Computação, Gustavo Quirino e Yan Silva, foram os palestrantes convidados para esta edição do evento. Eles trataram, principalmente, dos cuidados relacionados à exposição da intimidade por meio de dispositivos eletrônicos em sites de compartilhamento e redes sociais.

“O tema é relevante para a área da psicologia em função do aumento da demanda de pessoas que buscam auxílio quando sua privacidade digital é afetada. É importante que as pessoas estejam preocupadas em desenvolver novas formas de se proteger e manter sua privacidade digital salvaguardada. Precisamos do conhecimento da psicologia para cuidar das pessoas afetadas e de especialistas em tecnologia, para que nos ajudem a evitar a invasão da nossa vida, seja íntima ou profissional”, disse o psicólogo e professor da FASB, André Oliveira. “É obvio que todos nós devemos fazer o que estiver ao alcance para proteger nossa privacidade, mas temos o direito de expressar nossa intimidade, ou sexualidade, em ambiente privado, da forma que a gente quiser. Então não podemos culpar a vítima, porque ela tentou manter essa informação guardada, depois teve sua privacidade invadida”, concluiu.

Gustavo Quirino, professor de Ciências da Computação do IFBA, trouxe ao debate informações acerca da estrutura dos sistemas de informática onde as informações dos usuários estão armazenadas. “Trouxe o assunto adaptado, com termos do cotidiano, para facilitar a compreensão das possíveis invasões e as possíveis ações que elas podem executar para evitar danos à privacidade nos meios digitais. Todos nós acessamos dispositivos como computadores e celulares. Cada vez mais teremos esse tipo de dispositivo em nossas casas, então precisamos acompanhar a evolução dos meios de segurança digital, porque a solução de ontem não vai resolver os problemas de amanhã”, alertou.

O estudante do curso de Psicologia da FASB, João Fillipe Souza de Aguiar, analisou o evento. “O uso de aparelhos é muito amplo, mas poucos sabem os riscos envolvidos. É muito fácil adquirir um celular, por exemplo, mas não há um curso de utilização para cada usuário que compra um aparelho, o resultado é que muitos ficam vulneráveis. Esse evento foi muito bom porque trabalhou interdisciplinarmente: a Ciência da Computação para evitar invasões e a Psicologia atuando, caso a intimidade seja exposta. Como foi dito em uma das palestras, há uma série de complicações, para pessoas que sofreram com a exposição da vida intima, que vão do constrangimento até fatos mais graves como o suicídio”, disse.