O projeto de extensão “Encontro de Adolescentes e Jovens Autistas: Criando vínculos e despertando a autonomia para o futuro”, orientado pelos professores Ana Paula Camargo, Carla Fiaes e Fred Euler, do Centro Universitário São Francisco de Barreiras (UNIFASB), reuniu o público alvo e acadêmicos dos cursos de Educação Física, Fisioterapia e Psicologia, no Centro Juvenil de Ciência e Cultura de Barreiras. O projeto, que prevê a realização de encontros mensais, beneficia as três partes engajadas: os autistas, pela oportunidade de socialização; as famílias, por conta do compartilhamento de experiências e os estudantes, que terão a oportunidade de conhecer o universo das pessoas portadoras do autismo, com aproveitamento do conhecimento para o futuro profissional e acadêmico.

A professora do curso de Psicologia do UNIFASB, Carla Fiaes, que também integra a Associação dos Amigos do Autista (AMA), é uma das idealizadoras do projeto. “A gente tem uma lacuna muito grande de atividades voltadas para esse público jovem e adolescente. O projeto foi criado para trabalhar com temas específicos para eles. Tanto que no primeiro encontro o tema foi amizade, escolhido por um jovem autista consultado antes da reunião”, disse. A educadora destacou ainda que a adolescência é um período de muitas descobertas também para os autistas, que têm curiosidades como qualquer outro jovem. “Eles despertam interesse pelo namoro, amizade e outros aspectos mais comuns dessa fase, por isso eles devem ter orientação para conseguirem lidar com esses vínculos”, concluiu.

Fernanda Costa, mãe do jovem Matheus, participou da reunião dos pais, que ocorreu separadamente. Ela ressaltou a importância do compartilhamento de informações como fundamental para quem tem filho autista entrando na adolescência. “O compartilhamento de informações é o ponto mais rico desse projeto. Não podemos classificar o autista em poucos perfis. Cada um tem uma personalidade, vive uma realidade diferente, então ainda é um campo muito vasto a ser estudado”, afirmou.

Os objetivos pontuais do projeto estão diretamente ligados às práticas promovidas nos cursos envolvidos, tais como: prática da atividade física entre os autistas; estimular o desenvolvimento de habilidades sociais em um ambiente acolhedor; implementar o ensino de estratégias para reduzir e controlar os níveis de estresse, com técnicas de relaxamento; promover uma rede social de suporte fora da família nuclear; incentivar o uso de recursos comunitários; promover a autonomia e a inclusão social; incentivar a formação de uma identidade autista e de laços de amizade entre os participantes do grupo.

“Foi o primeiro contato que eu tive com adolescentes com espectro autista. Cada estudante presente a esse encontro teve uma experiência voltada para sua própria área, o que significa uma grande experiência que levaremos para nosso futuro profissional. Com esse projeto vamos ajudar a elaborar soluções, estratégias e técnicas para o trabalho com esse público específico. Ter, no mercado, profissionais com experiência com jovens autistas vai facilitar para as mães que muitas vezes não tem a quem recorrer, por ser um mundo tão novo também para elas”, disse a estudante do 10º semestre do curso de Fisioterapia do UNIFASB, Natielle Linhares.